sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tecnologia e o presente da pesquisa acadêmica


Se a idéia que você tinha de fazer pesquisa acadêmica era ficar por horas a fio numa biblioteca, cercado de pilhas de livros e outros documentos em papel, atualize-se: cada vez mais a tecnologia tem influenciado a atividade de pesquisa, contribuindo até mesmo para mudar a rotina de alguns pesquisadores.

Da criação de suportes de informação como leitores de e-books até a proliferação de repositórios de documentos e periódicos eletrônicos, os avanços tecnológicos vem contribuindo muito para facilitar (ou complicar, dependendo do ponto de vista) a busca por informação. Para os que já se acostumaram a usar bases de dados para pesquisa de artigos, por exemplo, já existe uma novidade interessante: a possibilidade de baixar artigos inteiros no celular! 

No caso, a editora IBIMA Publishing, especializada em publicações acadêmicas e que é de acesso aberto (ou seja, gratuito), criou a possibilidade de baixar documentos em formato iPhone, especificamente para serem lidos no aparelho da Apple.

Tudo indica que em breve outras editoras trarão opções semelhantes, incluindo outros modelos de celular. Assim, talvez daqui a algum tempo você receba uma mensagem de texto dizendo que há uma nova publicação sobre o seu tema de pesquisa, e você poderá decidir dar uma olhadinha no conteúdo enquanto almoça no restaurante ou espera na fila do banco… imaginando que isto seja possível, ficará mais fácil divulgar um artigo interessante para a sua rede de contatos, reforçando uma noção de “Web 2.0 acadêmica”.

Da mesma forma, amplia-se o uso de tecnologias como o 3D com finalidades acadêmicas. Se a prática já é bastante comum em áreas como a Medicina e a Física, agora ela é empregada também nas publicações online de áreas das Humanidades: recentemente, a Society of Architectural Historians inaugurou uma nova plataforma para o seu principal produto, o Journal of the American Society of Architectural Historians (acesso pela base Jstor, a partir dos micros da biblioteca ou da sua casa, se você tiver cadastro no VPN). 

Além dos tradicionais textos em PDF, a plataforma oferece possibilidade de visualizar imagens e mapas em 3 dimensões, além de filmes, vídeos, fotos panorâmicas, arquivos sonoros e imagens com aproximação por zoom.

Mas não é só em termos de plataformas de pesquisa que a tecnologia tem causado impacto: o próprio objeto de pesquisa também tende a se modificar conforme a tecnologia se insere na vida das pessoas. Já é fato corrente no Japão, país criador do poema haicai, a leitura de romances criados especificamente para leitura em celulares. 

Curtos, de linguagem simples e conteúdo fácil, esses romances não se aproximam nem um pouco da complexidade que envolve a criação de um haicai, mas significam um filão em crescimento no mercado editorial e já deixam suas marcas na linguagem cotidiana. Podem, assim, constituir interesse de pesquisa.

O próprio Twitter também dá suas contribuições neste campo: a Academia Brasileira de Letras lançou neste mês um concurso de microcontos com até 140 caracteres, e também não é novidade ver criações literárias que exploram os limites do microblog. Será que os críticos literários também irão se voltar para essa vertente?

Ao que tudo indica, a influência da tecnologia na pesquisa acadêmica é um caminho sem volta, em todas as áreas. Em um ou outro momento teremos de nos adaptar a essa realidade, que já não é mais algo futuro: ela está aí, acenando para nós, bem na nossa porta.

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